Drag À La Carte leva o universo Lip Sync de Boteco ao teatro em uma noite de música, desejo e confronto com os rótulos Entre o balcão de um boteco, a pista e o palco, seis personagens tentam organizar uma apresentação perfeita. O plano dura pouco: a peruca voa, o desejo muda de direção e as pessoas começam a responder às funções que receberam. Esse é o ponto de partida de Drag À La Carte — Ao Vivo no Boteco, comédia musical adulta do universo Lip Sync de Boteco, construída a partir de dez canções com letras de Fábio Romualdo Guimarães, F. K. Guimarães. O projeto reúne música, dublagem, fala ao vivo, estética drag e humor para investigar liberdade, pertencimento e as personagens que alguém constrói — ou precisa construir — para existir. A provocação não fica restrita ao preconceito de fora: chega às hierarquias de beleza, masculinidade, desejo e reconhecimento reproduzidas dentro da própria cena. O espetáculo não pede um comportamento exemplar como condição para merecer acolhimento, mas também não usa a liberdade como desculpa para apagar o outro. Bandida, a anfitriã mascarada, organiza o grupo como um cardápio de especialidades. Ao seu lado estão Drag Ativão, força de passarela e carão; Mavambo, o profissional do sexo que não quer viver de plantão para uma fantasia; Boy Instagramável, dividido entre presença e imagem; Loba Sapassiva, que exige autoria sobre a própria cena; e Daddy Silver, cujo desejo não se resume ao papel de proteção e cuidado. A trama da gravação, desenvolvida para a adaptação teatral, costura os números sem transformar cada música em pretexto para um discurso. A abertura, Melo da Peru Peru Peruca, faz do imprevisto uma celebração do corpo. Boy Instagramável visita o desejo submetido ao enquadramento; GP Ativão III humaniza a pessoa por trás do anúncio; e Meu Brother Não É Gay trabalha o atrito entre intimidade, negação e o direito de não se definir. Em Sapassiva, uma fábula entre personagens adultas devolve às mulheres o comando de seu próprio jogo. Fetiche entra na imaginação erótica sem tratar consentimento como inimigo da sedução. Tarja Preta é encenada como a lembrança de uma noite de excesso, recusando tanto a glamourização do risco quanto a condenação de quem precisa de ajuda. Passivo Ditador concentra a revolta contra transformar o corpo alheio numa função permanente. A homenagem de Blogueirinha Não É Drag conduz à última música, Não Cabe Num Refrão, que reconhece os limites de qualquer tentativa de representar uma comunidade inteira. O nome Lip Sync de Boteco acompanha a lógica do projeto. No manifesto, a dublagem aparece como uma voz que também pode ser devolvida através de outro corpo, de uma memória ou de uma personagem. Já o boteco é lugar de chegada e retorno: não se opõe ao glamour, mas participa da mesma travessia. O espetáculo permite que o encontro continue à mesa, carregando o que a pista revelou. A concepção prevê cerca de 85 minutos, sem intervalo, e seis personagens centrais. A definição de elenco, direção, temporada, local, classificação etária e bilheteria não é anunciada neste material. As imagens são artes do universo visual do projeto. Artistas e referências mencionadas nas letras integram a homenagem da obra; sua citação não significa participação ou endosso. SINOPSE CURTA Bandida quer apresentar uma noite perfeita. Mas seis personagens, dez músicas e uma peruca fora do lugar têm outros planos. Drag À La Carte atravessa desejo, imagem, fetiche, cuidado e as hipocrisias da própria cena em uma comédia musical adulta na qual ninguém aceita ser função permanente. BIO DO PROJETO Lip Sync de Boteco é um universo musical e performático brasileiro de raiz drag e queer. Seu primeiro trabalho, Drag À La Carte, reúne personagens, humor, sexualidade, crítica social e música para perguntar quem continua existindo quando retiramos a função que atribuímos a uma pessoa.